Acessível através da Auto-Estrada 1 (Nó de Aveiras), da Estrada Nacional 366 (ligação N3 a Caldas da Rainha) e da Estrada 365-2 (ligação Cartaxo - Aveiras de Cima), a acolhedora freguesia de Aveiras de Cima é detentora de um interessante património, quer natural, quer arquitectónico.

 

Escola Primária Dr. Francisco Maria de Almeida Grandella

Construída em 1906, é a primeira das várias escolas Grandella existentes no país. Foi fundada sobre o local onde existira a casa dos pais de Francisco Almeida Grandella, ficando situada logo à entrada de Aveiras, perto da Igreja Matriz. Na fachada possui quatro colunas e, tal como as outras construídas por Francisco Almeida Grandella, exibe sobre estas a tal parede triangular, assemelhando-se a um frontão clássico. Construída inteiramente a suas expensas, foi baptizada com o nome do seu pai, Dr. Francisco Maria de Almeida Grandella.

Parque de Merendas das Malhadinhas

Propriedade da Junta de Freguesia

Construção iniciada no ano de 2004

Embora a 1.ª Festa Campestre tivesse sido realizada em Junho/2005, ainda não estava inaugurada devido ao facto de não estar acabado. As Obras têm decorrido na medida das disponibilidades financeiras da Junta de Freguesia.

Igreja Matriz

Instituída na Idade Média , possivelmente logo após a Reconquista Cristã da região a Norte do Tejo durante a segunda metade do século XII, Santa Maria de Aveiras aparece taxada em 100 libras no rol das « igrejas, comendas e mosteiros» que existiam em Portugal no ano de 1320, quando D. Dinis é autorizado pelo papa João XXII a receber o dízimo das rendas eclesiásticas para a burla de cruzada.

Por -chraspa- Carta-chraspa- de D. João I de 1401 e confirmada por D. Duarte em 1434, a par da jurisdição temporal de confirmação das autoridades e ofícios locais, a jurisdição eclesiásticas e a apresentação do prior de Santa Maria de Aveiras passou a ser prerrogativa do bispo e depois arcebispo D. João Afonso Esteves de Azambuja.

Por morte deste em 1415, passou a igreja a D. Isabel Pires ou de Azambuja, Comendadeira de Santos, da Ordem de Santiago da Espada, dando início ao Padroado das Comendadeiras da ordem de Santiago, que passaram também a deter a jurisdição da Vila, como o confirma o título do Foral Manuelino do século XVI.

Ainda em 1834 a Comendadeira de Santos se intitulava Senhora donatária da Vila de Aveiras e do lugar de Vale Paraíso e Padroeira da Igreja e Reitoria de Aveiras de Cima e vigararias das Vilas de Aveiras de Baixo e do Cartaxo.

Nas Memórias Paroquiais de 1758, o Cura João Pena Morais , confirma, que era « donatária da Vila de Aveiras de Cima a Excelentíssima Comendadeira de Santos Novos da cidade de Lisboa» e « o pároco era vigário» apresentado pela mesma Comendadeira .« O orago e titular da Igreja Matriz è Nossa Senhora da Purificação» e «tem três altares, um da dita Senhora e do Santíssimo Sacramento, outro do Menino Deus, outro de Nossa Senhora dos Milagres; não tem naves; tem uma Irmandade das Almas». Um século depois é instituída a Irmandade do Santíssimo Sacramento, cujo Compromisso foi aprovado em 1859.

Entre os inúmeros monumentos funerários resgatados das fundações do templo, testemunhos que documentam as memórias medievais de Santa Maria de Aveiras, sobressaem as estelas lavradas com simbólica cruciforme, ou cabeceiras de sepultura, apresentadas na galilé e corpo do templo e, as sepulturas com epitáfio em letra gótica. Destas, tem o destaque o fragmento da sepultura de Pêro Paes, datada do ano de 1552.

Monumentos simbólicos resgatados do esquecimento, a secular igreja de Nossa Senhora da Purificação de Aveiras de Cima foi descrita em 1751, no Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso como um « templo antigo e tosco».

A degradação, o peso do tempo secular ditaram a primeira tentativa de reerguer e dignificar o templo medieval, em finais do século XIX.

Como a igreja estava muito arruinada e de difícil reparação, tornou-se necessário construir outra, tendo-se conseguido o subsídio de um conto de reis do Governo, em 1897. Existia então uma Comissão para a edificação de um novo templo a erigir no centro da povoação, numa propriedade de José Sequeira e depois de António Fialho Henriques. Caído por terra tanto o ensejo de uma nova edificação como demolido o templo antigo e tosco, bem como o seu sucedâneo, vão passar-se mais de 60 anos para se avançar com um terceiro plano de edificação, dado o anterior espaço de culto ser um templo inacabado e tecnicamente identificado como uma estrutura cheia de perigos.

É deste modo que em 1953 têm início as obras de construção da «nova» igreja, depois de uma enorme envolvência e mobilização colectiva do povo.

Vários peditórios, o memorável cortejo de oferenda realizado a 11 de Novembro de 1952 e de um outro chamado «cortejo da boa vontade» no próprio dia da inauguração, quermesses, etc. através de uma Comissão de que faziam parte os padres Luís A. de Oliveira Mendes e António José dos Santos, Francisco de Barros Júnior, Francisco de Mendia, José Rodrigues Batoreo, João Goulart de Medeiros, Alfredo Martins Pinto, Ezequiel Pereira Leitão, Joaquim Martins Maurício, José Duarte Mendes, Joaquim Manuel Leandro, Joaquim Manuel Lamas e José Félix Assucena, foram as iniciativas principais e os rostos que ficaram como memória futura.

Da autoria do arquitecto Vasco Morais de Palmeira (Regaleira), a actual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação de Aveiras de Cima, foi solenemente inaugurada a 20 de Dezembro de 1959, por Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

 

E a «nova» Igreja honrou como nunca a sua padroeira nos dias 26,27,e 28 seguintes, através de " Grandes Festividades" em honra de Nossa Senhora da Purificação e do Mártir S. Sebastião, num derradeiro esforço da Freguesia para saldar as contas de obra tão grandiosa.

Ficava serenizada a inquietação que tanto atormentava o então Prior Luís A. de Oliveira Mendes que a propósito então escreveu:

Não celebrara ainda as suas bodas de ouro ( após a reconstrução ) a velha igreja de Aveiras de Cima quando nela celebrei a Santa Missa, pela primeira vez, a 14 Novembro de 1948, mas já as paredes fendidas, os estuques caídos do tecto, os vidros estilhaçados faziam prever um fim prematuro. Para ela os técnicos não viram outro remédio senão apeá-la e reedificá -la novamente. Mas antes era necessário implantá-la na alma dos crentes... e depositar este plano tão arrojado nos corações de todos os aveirenses.

A ela, a esta nova Igreja acorrerão as promessas de uma Aveiras nova !

Todos os aveirenses sem excepção marcaram a sua presença e em cada pedra, em cada prego está uma gota de sangue e de vida de cada um dos habitantes desta paróquia.

Que esta obra e todas as que estão associadas e promovidas pela Paróquia de Nossa Senhora da Purificação de Aveiras de Cima, continuam ao serviço cultural e social da comunidade, como símbolos espirituais e materiais impressos no coração e na memória afectiva de cada um e de todos os aveirenses porque fazem parte integrante do maior património cultural comum a que o Homem chama História enquanto projecto colectivo que em cada Presente constitui um marco onde se escreve o Futuro.
* Síntese da História Paroquial de Nossa Senhora da Purificação de Aveiras de Cima, da autoria do historiador - José António Machado Pereira

 

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