Tradições

Na freguesia de Aveiras de Cima, a expressividade cultural e religiosa da população manifesta-se através das festas que aqui decorrem ao longo do ano. Revestem-se essencialmente de um carácter religioso, mas também apresentam uma vertente cultural. Assim sendo, destacam-se as seguintes: Festa dos Casais do Vale do Brejo, no dia 25 de Dezembro, com a duração de um dia; Festa dos Casais do Vale Coelho, em meados de Setembro, por dois ou três dias; Festa dos Casais das Comeiras, de realização bienal, na segunda quinzena de Maio, durante dois ou três dias; Festa em honra do Mártir São Sebastião, no dia 10 de Junho, com a duração de quatro dias; e Festa de Nossa Senhora das Candeias, no primeiro fim de semana de Fevereiro, por dois ou três dias.
Por altura dos Santos Populares, os diversos bairros da freguesia não deixam esquecer as Marchas Populares, percorrendo algumas ruas de Aveiras de Cima a entoar músicas alusivas à época.
Além da celebração destas festividades, a população de Aveiras de Cima conta ainda com a realização de uma Feira Franca, no último Sábado de cada mês, com a duração de um dia, e uma Feira de Gastronomia da responsabilidade da Casa do Povo de Aveiras de Cima, realizada em princípios de Dezembro, durante cinco ou seis dias.
As danças tradicionais da freguesia de Aveiras de Cima remontam a finais do século XIX, princípios do século XX. Nesta altura, era comum assistir ao Vira, ao Gaio Rolado, às Modas de Roda e ao Fandango do Bairro nos bailaricos, nos despiques na Lezíria, nas eiras e nos terreiros.
Outras danças havia, como as Valsas, as Danças de Salão e Bailaricos e a Dança a Dois Passos, mas eram apenas desenvolvidas pelas famílias mais abastadas.
Os cantares tradicionais, denominados de Desgarradas e Cantigas de Trabalho, datam também de finais do século XIX, princípios do século XX, período em que estas vozes se faziam ouvir, respetivamente, em despiques e durante a faina que as gentes da terra desempenhavam.
Atualmente, é possível recordar este tipo de danças e cantares graças ao intenso trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos ranchos folclóricos existentes na freguesia, que muito se têm esforçado na preservação e divulgação das tradições, usos, costumes e etnografia dos seus antepassados.
Os elementos dos ranchos folclóricos existentes na freguesia de Aveiras de Cima apresentam-se, nas suas actuações, com os trajes tradicionais da região, que se reportam aos finais do século XIX, princípios do século XX.
Assim, pela mão destes grupos, foi recuperado o Traje Domingueiro (para ir à Missa ou à Feira); o Traje de Trabalho (usado por pessoas que trabalhavam em várias fainas rurais por conta de outrem, recebendo à jorna); e o Traje Rico (usado pela classe das pessoas mais abastadas, nomeadamente aqueles que tinham propriedades e que não necessitavam de trabalhar por conta de outrem).
Os jogos tradicionais da freguesia de Aveiras de Cima reportam-se à primeira metade do século XX, época em que as crianças os praticavam nos intervalos da escola e nas brincadeiras de ruas, e os adultos, em festas e momentos de lazer.
Hoje em dia, caíram praticamente em desuso, registando-se apenas alguns concursos de Chinquilho, promovidos pelas coletividades. Mas, é importante fazer menção a todos os jogos tradicionais, infantis ou de adultos, que fizeram parte da vida dos habitantes de outros tempos desta freguesia:

 

Danças de Roda

Letras e músicas populares dão vida e voz a este jogo-passatempo. Geralmente, é praticado no intervalo das aulas, no recreio da escola ou no adro da igreja. Como o nome deixa perceber, era cantado em roda, e bailado ao ritmo da música.

 

O Trapo “Queimado”

Um trapo é escondido por um dos jogadores sem que os outros vejam. Dado o sinal de início do jogo, todos começam a procurar o objeto escondido. A maior ou menor proximidade do trapo é indicada pelo primeiro jogador aos que realizam a busca, pela seguinte graduação: “gelado”, “frio”, “morno”, “quente”, “mais quente”, “a ferver” e “queimado”. Vence o jogo o jogador que primeiro encontrar o trapo escondido, “queimado”, sendo então a sua vez de esconder o trapo.

 

Lenço

O jogo do lenço pode ser praticado por um número indeterminado de pessoas. Os participantes distribuem-se em círculo, de mãos dadas e viradas para o centro. Um dos jogadores percorre todo o círculo, pela parte exterior, em corrida, dizendo: “Aqui vai o lenço, aqui vai o lenço...”. Quando decidir, deixa cair o lenço atrás de qualquer elemento da roda e parte, em corrida, a fim de evitar que aquele o alcance antes de conseguir ocupar o respetivo lugar.

 

Jogo da Bujarda (ou Bilharda)

Pode ser jogado por um número ilimitado de pessoas, quase sempre rapazes. É necessário traçar no chão um círculo com cerca de 50 centímetros de diâmetro. Joga-se com um pedaço de madeira com a forma semelhante a uma raquete e também com um pau de aproximadamente 25 centímetros, com dois bicos nas pontas. Depois de se traçar o círculo no chão, os jogadores afastam-se para uma distância previamente combinada para aí dar início ao jogo. O pau de bicos é colocado no chão. Com a raquete bate-se numa das pontas, fazendo subir o pau o suficiente para, ainda com a raquete, o bater em direção ao círculo. Vence o jogo o participante que primeiro conseguir colocar o pau no círculo.

 

O Princípio

O Princípio é um jogo de rapazes, praticado por um número indeterminado de intervenientes. Consiste em atirar um prego grande para um monte de areia, de forma a que o prego fique espetado a direito. Os jogadores, distribuídos à volta do monte, vão-se afastando gradualmente, aumentando assim o grau de dificuldade, e vão sendo eliminados à medida que não consigam espetar o prego. Vence o jogo o participante que consiga ficar para último.

 

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